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O que são fungicidas?

Margaret Tuttle McGrath
Cornell University

McGrath, M.T. 2004. What are Fungicides. The Plant Health Instructor. DOI: 10.1094/PHI-I-2004-0825-01
2012 Trans. Piérri Spolti, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

As doenças são a principal causa de danos às culturas e às plantas que podem ser causadas por inúmeros organismos fitopatógenos (agentes causais). Os fungos são os principais causadores de danos às culturas em todo o mundo. Vírus, nematóides e bactérias também causam doenças em plantas (Figuras 1, 3 e 4). Sintomas semelhantes aos causados por patógenos podem ser causados por fatores abióticos (sem vida), tais como deficiência nutricional, poluição do ar (compare as Figuras 2, 5 e 6) e também insetos (Figura 6).


Figura 1

Figura 2

Figura 3

Figura 4

Figura 5

Figura 6

Os fungicidas, herbicidas e inseticidas são todos pesticidas utilizados na proteção de plantas. Um fungicida é um tipo específico de pesticida que controla doenças fúngicas por inibir ou matar especificamente o fungo causador da doença. Nem todas as doenças causadas por fungos podem ser adequadamente controladas por fungicidas. Nestas se incluem murchas vasculares causadas por Fusarium e Verticillium (Figura 7). Doenças causadas por outros tipos de organismos, desordens causadas por fatores abióticos e danos por insetos não podem ser controlados por fungicidas. Então, é essencial que, primeiramente, se determine as causas dos sintomas antes de aplicar um fungicida.


Figura 7


Por que os fungicidas são necessários?

As doenças são de ocorrência comum em plantas, tendo muitas vezes um impacto econômico significativo no rendimento e qualidade das culturas, portanto, o manejo de doenças é um componente essencial na produção agricola. De forma geral, existem três razões principais para o uso de fungicidas:

(a) Controlar uma doença durante a fase de estabelecimento e desenvolvimento de uma cultura,

Incrementar a produtividade de uma cultura e reduzir os danos estéticos. Culturas de interesse alimentar podem produzir menos porque as suas folhas, as quais são necessárias para a fotossíntese, estão afetadas pela doença (Figuras 8 – 11). Danos estéticos podem afetar a parte comestível de uma cultura (Figuras 6 e 14) ou, no caso das ornamentais, sua atratividade (Figuras 12 e 13), o que em ambos os casos pode afetar o valor de mercado de uma cultura.

(c) Aumentar o período de armazenagem e a qualidade do produto e das plantas colhidas. Algumas das grandes perdas ocasionadas por doenças ocorrem na pós-colheita (Figuras 14 e 15). Os fungos frequentemente estragam (inutilizam) frutos, vegetais, tubérculos e sementes armazenados. Um pequeno grupo de fungos que infectam grãos, produzem toxinas (micotoxinas) capazes de causar doenças graves, ou mesmo a morte, em serem humanos e animais, quando estes grãos são consumidos. Os fungicidas têm sido utilizados para reduzir a contaminação de grãos de trigo afetados pela giberela ou fusariose do trigo, mas a maioria dos fungicidas desenvolvidos até agora não têm sido suficientemente efetivos para serem úteis no manejo (controle) de micotoxinas associadas com outras doenças.


Figura 8

Figura 9

Figura 10

Figura 11

Figura 12

Figura 13

Figura 14

Figura 15


Função dos fungicidas no manejo de doenças

As doenças de plantas são manejadas (controladas, pt) de melhor forma pela integração de um número de práticas de controle que podem incluir: rotação de culturas, seleção de cultivares tolerantes ou resistentes à doença (cultivares geneticamente menos suscetíveis que outras cultivares), momento de plantio, nível de fertilidade, modificação do microclima, profilaxia e aplicação de fungicidas. Fungicidas são muitas vezes uma parte vital do manejo de doenças pois (a) eles controlam satisfatoriamente muitas doenças, (b) as práticas culturais muitas vezes não proporcionam controle adequado das doenças, (c) cultivares resistentes muitas vezes não estão disponíveis ou não são aceitas pelo mercado e (d) algumas culturas de alto valor têm uma tolerância extremamente baixa à ocorrência dos sintomas.

Em contraste com a maior parte dos medicamentos humanos, uma boa parte dos fungicidas precisam ser aplicados antes que a doença ocorra, ou no momento em que os primeiros sintomas são visíveis, para serem eficazes. Ao contrário de muitas doenças de humanos e animais, o dano causado por doenças em plantas não é eliminado, mesmo que o patógeno seja morto. Isto porque as plantas crescem e se desenvolvem diferentemente de animais. Os fungicidas só podem proteger da doença os novos tecidos sem infecção. Além disto, poucos fungicidas são eficazes contra patógenos após eles terem infectado uma planta.

Os fungicidas que têm propriedades curativas, o que significa que são ativos contra patógenos que já infectaram a planta, tendem a ter um maior risco de desenvolvimento de resistência dos patógenos ao fungicida. Um patógeno resistente é menos sensível à ação do fungicida, o que torna o fungicida menos eficaz ou mesmo ineficaz. Uma vez que estes fungicidas devem ser capazes de penetrar nas plantas, e de forma seletiva matar os fungos invasores, estes fungicidas são criados para atingir enzimas ou proteínas específicas produzidas pelos fungos. Pelo fato do modo de ação destes fungicidas ser tão específico, pequenas mudanças genéticas nos fungos podem superar a eficácia destes fungicidas; e as populações podem se tornar resistentes a futuras aplicações. Estratégias de manejo de doença que são fortemente dependentes de aplicações curativas de fungicidas levam muitas vezes a mais problemas de resistência pois (a) o tamanho da população a partir do qual os indivíduos resistentes selecionados é maior e (b) é difícil erradicar todos os fungos localizados nos tecidos internos da planta e, portanto, alguns patógenos escapam ao fungicida. O tema da resistência aos fungicidas é abordado em mais detalhe numa seção a parte.

Os produtores muitas vezes usam sistemas de previsão de doença ou limiares de ação, quando estes estão disponíveis, para garantir que os fungicidas sejam aplicados quando necessário e para evitar gastos adicionais e possíveis impactos ambientais por aplicações desnecessárias. Sistemas de previsão de doença têm sido desenvolvidos para inúmeras doenças, baseados no entendimento dos fatores ambientais favoráveis para o seu desenvolvimento. Tipicamente estes sistemas de previsão são baseados na temperatura, umidade relativa do ar ou molhamento foliar onde a cultura está sendo produzida. Programas de aplicação de fungicidas baseados em limiares envolvem o monitoramento rotineiro dos sintomas na cultura, sendo aplicados fungicidas quando os sintomas atingem um nível crítico acima do qual a doença não pode ser controlada adequadamente. Um exemplo de um nível crítico é uma mancha foliar em cada cinco folhas examinadas. O conhecimento do ciclo da doença é importante no desenvolvimento e uso de sistemas de previsão e de limiares de ação. Aspectos importantes do ciclo da doença incluem se a doença é monocíclica (uma geração por ciclo da cultura) ou policíclica (múltiplas gerações) e o período de incubação (tempo entre a infecção e a produção de inóculo novo).

Aspectos econômicos muitas vezes influenciam a escolha do fungicida e o momento de aplicação. Fungicidas mais caros e numerosas aplicações são utilizados em culturas de alto valor, que podem sofrer perdas econômicas substânciais na ausência de tratamentos, como árvores frutíferas e campos de golf. Sabendo que para algumas doenças o rendimento da colheita não é afetado quando a severidade é baixa, um limiar econômico é utilizado para determinar quando um tratamento fungicida é necessário. O nível de tolerância da cultura, ou limiar de dano, pode variar dependendo do estádio de desenvolvimento da cultura quando atacada, as práticas de manejo da cultura, o local e condições climáticas.


Métodos de aplicação

Os fungicidas são aplicados na forma de pó, grânulos, gas e, mais comumente, líquidos. Eles são aplicados em:

  1. Sementes, bulbos, raízes e mudas e outros orgãos de propagação. Estes tratamentos são normalmente feitos pela empresa produtora de sementes. Alguns tratamentos devem ser feitos pelo produtor no local e momento de plantio. O objetivo é eliminar os patógenos presentes no material de plantio ou proteger as plantas jovens de patógenos do solo.
  2. No solo através de sulcos no plantio, após o plantio como irrigação (incluindo irrigação por gotejamento) ou como uma pulverização ao redor da base da planta.
  3. Na folhagem ou partes superiores da planta por meio de um pulverizador.
  4. Dentro de árvores por injeção no troco.
  5. No ar, em ambientes fechados, como casas de vegetação (estufas, pt) ou solo coberto. Fungicidas são chamados fumigantes quando aplicados na forma de um vapor químico ativo na fase gasosa. Alguns fumigantes também são ativos contra nematóides, insetos e sementes de plantas daninhas.
  6. Produtos colhidos, pela imersão ou pulverização no packinghouse.

Os fungicidas são usados como produtos formulados consistindo de um ingrediente ativo associado a um ingrediente inerte que aumenta a performance do produto. Os fungicidas são tipicamente misturados com água para então serem aplicados na pulverização. Equipamentos de aplicação variam desde pulverizadores manuais e pulverizadores costais, até grandes unidades transportadas por tratores e aeronaves (aviões, pt) (Figuras 16 – 22). Poucos fungicidas são aplicados como pó. Os fungicidas também podem ser aplicados em casa de vegetação na forma de fumaça, névoa ou aerosol. A cobertura de todas as partes da planta suscetível à doença é crítico, pois poucos fungicidas podem se mover adequadamente ao longo da planta. Avanços tecnológicos são continuamente feitos em bicos e pulverizadores para aumentar a cobertura (Figuras 17 e 19).

Para muitas doenças, para o controle efetivo, é necessário multiplas aplicações de fungicidas, algumas vezes tão frequentemente como a cada cinco dias. A repetição das aplicações são necessárias para proteger os novos crescimentos das plantas [brotações (gomos, pt)], por exemplo e para substituir o fungicida perdido da superfície da planta pela decomposição química, degradação pela luz ultra-violeta, e erosão pelo vento e água.


Figura 16

Figura 17

Figura 18

Figura 19

Figura 20

Figura 21

Figura 22


Tipos de fungicidas e definições

Os fungicidas são categorizados de várias maneiras baseado em diferentes características. As características mais comumente utilizadas e as categorias de fungicidas são descritas abaixo. A a tabela 1 (Adobe Acrobat PDF) é uma lista de fungicidas selecionados atualmente registrados nos Estados Unidos que representam os principais grupos de fungicidas e a estrutura química destes grupos.

  1. Mobilidade na planta: de contato ou sistêmicos. Fungicidas de contato (também chamados protetores) permanecem na superfície das plantas. Muitos fungicidas de contato são potencialmente fitotóxicos (tóxicos às plantas) e podem causar danos à planta se absorvidos. Fungicidas sistêmicos (ou de penetração) são absorvidos para dentro das plantas. Alguns fungicidas sistêmicos movem-se a curtíssimas distâncias à partir do local de aplicação, como através da lâmina foliar de uma superfície à outra (translaminar). Alguns fungicidas são pouco sistêmicos e podem se mover mais além do que o local aplicado. A maioria dos fungicidas sistêmicos se movem mais extensivamente em função da mobilidade no tecido do xilema. Quando aplicados na zona das raízes, estes fungicidas são absorvidos pelas raízes e então deslocados para cima através da planta pela corrente de transpiração (mobilidade sistêmica via xilema). Fungicidas sistêmicos com mobilidade pelo xilema, quando aplicados em folhas se movem através da folha em que foi depositado, mas não podem ser redistribuídos para outra região que não aquela folha, no entanto, qualquer material depositado na haste pode se mover para cima em direção às folhas. Fungicidas sistêmicos móveis pelo floema (também conhecidos como "verdadeiros" ou fungicida sistêmicos com mobilidade nos dois sentidos), têm mobilidade bidirecional. Alguns materiais se movem no floema além da folha em que foram depositados, para cima em direção às folhas e, para baixo em direção às raízes. Fungicidas sistêmicos não podem retornar ao local de origem após a translocação.
  2. Função na proteção: preventivos ou curativos. Fungicidas de contato são adequados para uso preventivo (profiláticos/erradicantes) uma vez que eles agem por ação de contato na superfície das plantas em que eles foram aplicados. A repetição de aplicações é necessária para proteger novos crescimentos da planta e para substituir o material que tenha sido lavado pela chuva ou irrigação, ou degradado por fatores ambientais como a luz do sol. Algumas vezes os fungicidas de contato são referidos como produtos residuais porque o fungicida depositado na superfície da planta permanece ocasionalmente como um resíduo visível, por muitos dias. Devido a sua capacidade de penetrar nas plantas, alguns fungicidas sistêmicos possuem atividade preventiva e curativa (erradicante ou retro-ativa), podendo, portanto, afetar o patógeno após a infecção.
  3. Espectro de ação: Sítio-específico ou múltiplo-sítio. Fungicidas sítio-específico são ativos contra um único ponto da via metabólica de um patógeno ou contra uma única enzima ou proteína necessária para o fungo. Uma vez que fungicidas sítio-específico são extremamente específicos em sua toxicidade, tendo pouco efeito na maioria dos organismos, eles podem ser absorvidos de forma segura pelas plantas e, portanto, tais fungicidas tendem a ter propriedades sistêmicas. Como resultado desta ação específica, os fungos são mais propensos a se tornarem resistentes a tais fungicidas porque uma única mutação no patógeno normalmente permite superar a ação do fungicida, como por exemplo, pela incapacidade do fungicida em se ligar ao ponto de ação nos fungos. Tipicamente, fungicidas de contato mais antigos tem ação múltiplo-sítio e, portanto, normalmente, afetam muitos fungos em diferentes classes. Pelo desenvolvimento de testes in vivo, e devido ao aumento no rigor e do número de testes regulatórios requeridos para o registro de um novo ingrediente ativo, os fabricantes de fungicidas têm encontrado recentemente mais facilidade em desenvolver fungicidas sistêmicos sítio-específico. Como um dos resultados disto, a resistência a fungicidas tem se tornado uma questão mais importante no manejo (controle, pt) de doenças. Typically, older contact fungicides have multi-site activity and thus usually affect many fungi in different classes. Through the development of in vivo screens, and due to the increase in the stringency and number of regulatory tests required to register a new active ingredient, fungicide manufacturers have found it easier to develop single-site systemics recently. As a result, fungicide resistance has become a more important concern in disease management.
  4. Modo de ação.Os fungicidas matam os fungos por causarem danos nas suas membranas celulares, pela inativação de enzimas ou proteínas essenciais, ou por interferirem em processos chave como produção de energia ou respiração. Outros têm impacto específico em vias do metabolismo, como produção de esterol ou quitina. Por exemplo, fungicidas do grupo das fenilamidas se ligam à RNA-polimerase e inibem sua função em oomicetos, enquanto fungicidas benzimidazóis inibem a formação dos polímeros beta-tubulina utilizados pela células durante a divisão nuclear. Alguns produtos desenvolvidos recentemente são peculiares no fato de que eles não afetam diretamente o patógeno. Muitos destes induzem uma resposta da planta (hospedeiro) conhecida como resistência sistêmica adquirida (SAR, sigla em inglês de Systemic Acquired Resistance). Estes indutores de SAR basicamente mimetizam sinais químicos nas plantas que ativam os mecanismos de defesa, tais como a produção de parede celular mais espessa e proteínas antí-fúngicas. A utilidade dos indutores de SAR, no entanto, tem sido limitada até agora, uma vez que muitos patógenos são capazes de superar tais defesas. O conhecimento exato de como um fungicida afeta um fungo auxília na seleção dos produtos. Primeiro, o modo de ação determina quais fungos serão afetados pelo fungicida e, portanto, quais doenças podem ser controlados pelo uso de tal fungicida. Segundo, fungicidas com modo de ação diferentes são necessários no manejo (controle, pt) da doença para retardar o desenvolvimento de resistência. O modo de ação bioquímico é a base primária utilizada para a classificação dos fungicidas em grupos. Uma lista dos fungicidas organizados por grupo químico é mantida pelo FRAC [Fungicide Resistance Action Committee – (FRAC)] (http://www.frac.info/frac/index.htm) e está no Apêndice II da US Environmental Protection Agency (EPA) no documento (http://www.epa.gov/opppmsd1/PR_Notices/pr2001-5.pdf). Os fungicidas listados na Tabela 1 (Adobe Acrobat PDF) estão listados de acordo com o esquema de classificação do FRAC/EPA com uma adição da classe de biofungicidas. Basicamente as informações químicas dos fungicidas estão em PAN Pesticide Database (http://www.pesticideinfo.org). Todos os fungicidas pertencentes a um mesmo grupo químico têm em comum o modo de ação e o mecanismo de resistência, embora sua estrutura química possa ser diferente. Duas exceções no esquema classificatório do FRAC/EPA é a classe de fungicidas múltiplo-sítios classificados como classe de fungicidas com modo de ação “desconhecido” (unknown).
  5. Natureza química: inorgânico ou orgânico. Fungicidas também podem ser classificados baseados de acordo com sua composição química. Qumicamente, moléculas orgânicas são aquelas que possuem átomos de carbono em sua estrutura, enquanto moléculas inorgânicas não os possuem. Grande parte dos primeiros fungicidas desenvolvidos foram baseados em componentes inorgânicos como enxofre e ións metálicos, tais como o cobre, estanho, cádmio e mercúrio, os quais são tóxicos aos fungos. O cobre e o enxofre ainda continuam a ser amplamente utilizados. A maior parte dos outros fungicidas utilizados atualmente são compostos orgânicos e portanto contêm carbono. O termo "orgânico", como utilizado aqui, é baseado na terminologia química e difere do "orgânico" usado para descrever um sistema de agricultura que se esforça para ser holístico e para incrementar a sanidade dos agroecosistemas. A Tabela 1 (Adobe Acrobat PDF)disponibiliza uma lista dos fungicidas e suas características que são representativas dos principais grupos químicos registrados nos Estados Unidos.
  6. Additional terms.
      • Ingrediente ativo (i.a) é o componente ativo de um fungicida e a porção química que é patenteada, sintetizada e registrada pelo fabricante.

      • Biofungicida é um produto natural baseado em micróbios ou bioquímicos. Existem três tipos de biopesticidas. (a) Biopesticidas microbianos têm um ingrediente ativo que é um agente de controle biológico (organismo capaz de atacar e competir com um patógeno ou praga). (b) Plantas biopesticidas, ou plantas com protetores incorporados, são definidos pela EPA como “substâncias pesticidas que as plantas produzem a partir de material genético que tenha sido adicionado à planta”. (c) Biopesticidas bioquímicos contêm substâncias presentes na natureza. Alguns bioquímicos também podem ser produtos de fermentação. Os bioquímicos podem afetar diretamente o agente causal da doença ou estimular a SAR. Biopesticidas genericamente são de espectro de ação restrito, têm baixa toxicidade, decompoem-se rapidamente e, portanto, são considerados como tendo baixo potencial de impacto negativo no meio ambiente (http://epa.gov/pesticides/biopesticides/). Muitos produtos biofungicidas estão sendo aprovados para a produção orgânica (http://omri.org). Embora muitos tenham baixa toxicidade, biopesticidas não são necessariamente mais seguros que pesticidas que contêm ingredientes sintéticos.

      • Grupo químico ou classe é o nome dado a um grupo de substâncias químicas que compartilham o mesmo modo de ação bioquímica e que podem, ou não, ter estrutura química similar.

      • Nome químico é denotado por um sistema de nomenclatura designado pela International Union of Pure and Applied Chemistry (IUPAC); este conjunto de regras é utilizado para nomear compostos orgânicos, baseados em carbono.

      • Nome comum é o nome proposto pelo fabricante para o princípio ativo básico. Este nome é ratificado por um comitê na IUPAC ou na ACS (American Chemical Society).

      • Risco reduzido é uma classificação especial aprovada pela EPA para usos específicos de pesticidas que tenham baixo risco para a saúde humana, baixa toxicidade a organismos não-alvo, baixo potencial de contaminar água ou outra fonte de recursos naturais e/ou que ampliem a adoção e a eficiência de estatrégias de manejo integrado. Os registros são expedidos para usos designados como risco reduzido.

      • Formulação é o produto pesticida. Isto é uma mistura do ingrediente ativo com ingredientes que aumentam a performance do pesticida, tais como veículos inertes, solventes, agentes umidificantes, espalhantes e adesivos. Tipos de formulações incluem pó molhável, pó seco, concentrado emulsificante e grânulos.

      • Nome comercial/marca comercial é o nome patenteado pelo qual um produto é comercializado ao usuário final.


Resistência aos fungicidas

A resistência aos fungicidas é uma característica estável e herdável que resulta numa redução na sensibilidade de um fungo a um fungicida. Esta habilidade é obtida através de processos evolutivos. Fungicidas com modo de ação sítio-específico têm alto risco para o desenvolvimento de resisência em relação aos fungicidas de múltiplo-sítio. A maioria dos fungicidas desenvolvidos atualmente têm um modo de ação sítio-específico porque estão associados com baixo potencial de impacto negativo ao meio ambiente, incluindo organismos não-alvo.

Quando a resistência ao fungicida resulta de um gene de efeito maior, as subpopulações do patógeno são sensíveis ou altamente resistentes ao pesticida. A resistência neste caso resulta na total perda de controle da doença que não pode ser recuperado utilizando altas doses ou maior frequência de aplicação do fungicida. Este tipo de resistência é normalmente referida como "resistência qualitativa".

Quando a resistência é resultado da alteração de muitos genes, os isolados (isolamentos, pt) do patógeno exibem um gradiente de sensibilidade ao fungicida dependendo do número de alterações nos genes. A variação da sensibilidade apresenta um continum dentro da população do fungo. A resistência neste caso é vista como uma perda do controle da doença que pode ser recuperada pelo uso de doses mais elevadas ou aplicações mais frequentes. A seleção a longo prazo para a resistência do patógeno pela repetição de aplicações pode, eventualmente, resultar na incapacidade de controlar adequadamente a doença mesmo quando as doses mais altas e/ou menor intervalos entre aplicações sao utilizados. Este tipo de resistência é comumente conhecida como “resistência quantitativa”. Comentários sobre o risco de resistência dos fungicidas estão incluídos na Tabela 1 (Adobe Acrobat PDF) e na tabela de fungicidas no site do FRAC (http://www.frac.info/frac/ em “Publications”).

Isolados (isolamentos, pt) fúngicos que são resistentes a um fungicida são algumas vezes resistentes também a outros fungicidas com modo de ação semelhante, mesmo quando os isolados não tenham sido expostos a estes outros fungicidas. Este tipo de resitência é conhecida como "resistência cruzada". Fungicidas do mesmo grupo químico tendem a exibir resistência cruzada. Ocasionalmente resistência cruzada negativa ocorre entre fungicidas com modos de ação diferentes porque as mudanças genéticas que conferem resistência a um fungicida podem fazer com que o isolado resistente se torne mais sensível a um outro fungicida.

O manejo (gestão, pt) da resistência aos fungicidas é muito importante para extender o período de tempo que um fungicida é efetivo. A meta primária do manejo de resistência é retardar o desenvolvimento, ao invés de lidar com os isolados resistentes após eles terem sido selecionados. Portanto, os programas de manejo de resistência precisam ser implementados quando um fungicida de risco torna-se disponível para uso comercial. O objetivo do manejo de resistência aos fungicidas é minimizar o uso de um fungicida de risco sem comprometer o controle da doença. Isto é acompanhado pelo uso do fungicida de risco com outros fungicidas e outras medias de controle, como o uso cultivares resistentes, num programa de manejo integrado da doença.

A utilização de um programa de manejo de doença eficiente é algo crítico para retardar o aparecimento de isolados resistentes. Fungicidas de risco devem ser utilizados com a dose (dose completa) e intervalos de aplicação recomendados pelo fabricante. O uso da dose completa tem por objetivo minimizar a seleção de isolados com sensibilidade intermediária ao fungicida quando a resistência envolve vários genes (resistência quantitativa). Fungicidas de risco devem ser utilizados em alternância com outros fungicidas com diferentes modo de ação ou diferentes grupos químicos, e devem ainda ser combinados ou alternados com fungicidas que tenham um baixo risco de resistência.

Quando uma cultura pode servir como fonte de inóculo para uma cultura subsequente, o esquema de alternar os fungicidas de risco deve ser mantido entre culturas subsequentes, de tal forma que, o primeiro fungicida de risco aplicado numa cultura pertença a um grupo de resistência cruzada distinto do último fungicida de risco aplicado na cultura anterior. Alguns fungicidas de risco são formulados comercialmente com outros fungicidas para o manejo da resistência. Os fungicidas de risco só devem ser utilizados quando absolutamente necessário. O período mais crítico para o uso de tais fungicidas para o manejo de resistência é no início de uma epidemia quando a população do patógeno é pequena. Fungicidas múltipo-sítio devem ser utilizados sozinhos no fim do ciclo da cultura, pois permitem controle satisfatório da doença para preservar a produtividade. Um outro componente importante do manejo de resistência é avaliar o controle da doença e comunicar qualquer perda de eficiência potencialmente associada à resistência.

Para promover o manejo de resistência, as companhias que possuem o registro dos fungicidas estão voluntariamente colocando nos rótulos guias desenvolvidos recentemente pela EPA num esforço conjunto com a Canadian Pest Management Regulatory Agency (PMRA) de acordo com o North American Free Trade Agreement (NAFTA). Tais guias estão descritos no aviso de registro de fungicidas 2001-5 (http://epa.gov/opppmsd1/PR_Notices/pr2001-5.pdf). Códigos designando os grupos químicos foram desenvolvidos como parte destes guias [veja Tabela 1 (Adobe Acrobat PDF)].


Legislação e saúde pública

As duas principais leis governamentais de regulamentação de fungicidas e outros pesticidas nos Estados Unidos são a Federal Insecticide, Fungicide, and Rodenticide Act (FIFRA) e a Federal Food, Drug, and Cosmetic Act (FFDCA).

A FIFRA foi aprovada pelo Congresso em 1947. A responsabilidade primária de execução desta lei foi inicialmente do United States Department of Agriculture (USDA), sendo então transferida para a EPA em 1970. O escritório de programas de pesticidas da EPA é o principal responsável pela regulamentação de pesticidas atualmente. Todos os pesticidas devem ser registrados antes de poderem ser comercializados e utilizados nos EUA. Para obter um registro, os fabricantes de um pesticida devem demonstrar que tal produto não tem potencial para causar um impacto adverso no ambiente e em organismos não-alvo, incluindo seres humanos. Isto requer a condução de vários testes toxicológicos e de impacto ambiental previamente definidos.  Além disto, a EPA deve assegurar que espécies ameaçadas ou em risco de extinção e seus ambientes não sejam prejudicados pelo uso dos pesticidas registrados. Isto assegura o cumprimento da Endangered Species Act (ESA) de 1973, lei que proibe qualquer ação que possa afetar adversamente tais espécies. Além do registro federal pela EPA, todos os pesticidas devem ser registrados pelas agências específicas em cada estado antes de poderem ser utilizados.

A FFDCA regulamenta o estabelecimento de tolerância a pesticidas, que são os níveis máximos permitidos de resíduos de pesticidas em mercadorias para alimentação humana e animal. Os fabricantes de pesticidas devem incluir dados de resíduo nos materiais registrados. A Delaney Clause da FFDCA proibiu a presença em alimentos de aditivos, incluindo pesticidas, considerados carcinogênicos. Apesar de bem intencionada, a implementação desta modificação tornou-se difícil uma vez que os avanços tecnológicos tornaram possível a detecção de aditivos em doses extremamentes baixas, que estão bem abaixo da dose necessária para causar câncer. Paradoxalmente, pesticidas alternativos poderiam ser permitidos apesar de possuirem riscos mais elevados, se não tivessem risco para câncer. A lei Food Quality Protection Act (FQPA) aprovada em 1996 substituíu a Delaney Clause com um novo padrão sanitário para pesticidas utilizados em alimentos que incluiu uma “razoável certeza” de não oferecer danos. A partir do novo padrão a EPA estabelece tolerâncias considerando (a) exposição total a um fungicida a partir dos alimentos, assim como por atividades residênciais ou outras não associadas à alimentação, (b) efeitos cumulativos ao ser humano a partir de outros pesticidas com um modo de toxicidade em comum, (c) potencial de sensibilidade maior em bebês e crianças quando comparados a adultos e, (d) efeito do pesticida no estrogênio e sistema endócrino. A EPA está reavaliando todos os limites toleráveis da FQPA. Como uma consequência da FQPA e do rigor dos padrões da EPA, alguns pesticidas mais antigos não estão sendo registrados novamente e se tornou mais difícil o registro de novos produtos.

A bula (rótulo, pt) de um pesticida é um documento legal. Portanto, é ilegal aplicar um pesticida de outra forma que não a descrita na bula, como pela utilização de doses mais elevadas ou intervalos de aplicação mais curtos. A lei federal requer a inclusão de informações específicas (pep. Wsu.edu/facsheet/understanding.htm) (http://www.epa.gov/grtlakes/). Bulas de fungicidas registrados nos EUA estão acessíveis on-line (http://www.cdms.net/manuf/manuf.asp) (http://www.epa.gov/pesticides/pestlabels). A Figura 23 é um exemplo fictício de uma bula de fungicida com o tipo de informação encontrada.


Figura 23

Aplicadores de pesticidas são afetados por regulamentações adicionais também, incluindo o Worker Protection Standard (WPS). Alguns pesticidas são considerados de uso restrito e, consequentemente, só podem ser aplicados por aplicadores certificados, os quais tenham passado num exame demonstrando um entendimento dos pesticidas e das normas de segurança (http://www.epa.gov//pesticides/health/worker.htm). 

Informações adicionais sobre regulamentos de pesticidas estão disponíveis on-line (http://www.epa.gov/pesticides/regulating/index.htm). Informações sobre riscos potenciais associados a um pesticida e intruções para segurança estão apresentados na bula e no Material Safety Data Sheet (MSDS). Um MSDS é requerido para todos os produtos químicos considerados perigosos como definido pelo U. S. Government’s Occupational Safety and Health Administration (OSHA). Os MSDS’s incluem informações sobre dados físicos (ponto de fusão, ponto de ebulição, ponto de inflamação, etc), toxicidade, efeitos na saúde, primeiros socorros, reatividade, armazenagem, venda, equipamentos de proteção e procedimentos em caso de vazamento (derrame, pt) (http://www.ilpi.com/msds/faq/parta.html#whatis).


Lista de páginas na internet

  1. http://www.frac.info/frac/
    Em "Publications" neste site há uma lista de fungicidas do FRAC organizados pelo modo de ação. Há também três monografias em manejo de resistência, como avaliar o risco de resistência, baselines da sensibilidade, poster com o modo de ação dos fungicidas, uma listagem dos fungos pelo risco de resistência e uma lista de fungos que desenvolveram resistência a fungicidas.
  2. www.epa.gov/opppmsd1/PR_Notices/pr2001-5.pdf
    Este PDF contém um arquivo de um sistema de classificação de pesticidas baseados no modo de ação (sítio de ação) e guias de manejo de resistência. Tais guias foram preparados para os fabricantes de pesticidas pelo EPA Office of Pesticide Programs.
  3. www.pesticideinfo.org
    O PAN Pesticide Database inclui informações químicas básicas, características de toxicidade e estatuto regulatório de vários pesticidas.
  4. www.epa.gov/pesticides/biopesticides/
    Informações sobre biopesticidas e produtos disponíveis nos EUA são disponíveis neste site.
  5. www.omri.org
    O Organic Materials Review Institute mantém listas de produtos submetidos para revisão classificados para a produção orgânica nos EUA pelo National Organic Program.
  6. pep.wsu.edu/factsheet/understanding.htm
    Informações que pela lei devem aparecer na bula (rótulo, pt) de um pesticida é descrito por este site.
  7. www.epa.gov/pesticides/pestlabels/
    O Pesticide Product Label System têm imagens de bulas (rótulos, pt) originais de cada pesticida aprovado pelo US Office of Pesticide Programs, com complementação de versões aprovadas subsequencialmente e qualquer relação com os termos associados ao registro.
  8. www.epa.gov/grtlakes/seahome/housewaste/src/toxrate.htm
    Uma tabela com a escala de classificação de toxicidade da EPA e sinalização correspondente requerido estão neste site.
  9. www.cdms.net/manuf/manuf.asp
    Bulas (rótulos, pt) e MSDSs para fungicidas registrados nos EUA podem ser obtidos indicando o nome do produto em "busca" ou examinando a lista de produtos por fabricante.
  10. www.epa.gov/pesticides/health/worker.htm
    informações de segurança e material de treinamento estão neste site para trabalhadores que irão manusear pesticidas ou apenas ter acesso a áreas onde eles foram aplicados. Isto é uma parte do EPA's Worker Protection Standard (WPS) para a proteção de trabalhadores rurais ao efeito da exposição aos pesticidas.
  11. www.epa.gov/pesticides/regulating/index.htm
    Este site abrange o regulamentos e contém os formulários de registro de pesticidas nos EUA. Tópicos específicos abordam a avaliação potencial de novos fungicidas e usos, novas formas para o registro de produtos de uso mínimo , disponibiliza locais para necessidade especiais e situações de emergências, revisa a segurança de fungicidas mais antigos e requerimentos para a aplicação de pesticidas.
  12. www.ilpi.com/msds/faq/parta.html#whatis
    Material Safety Data Sheet (MSDS) as informações neste site incluem os seus elementos requeridos e onde obtê-los. Estão disponíveis tutoriais para aprender como ler MSDS's.


Leitura selecionada e referências

  1. Farm Chemicals Handbook. [um guia global de proteção de cultivos produzido anualmente com informações de todos os pesticidas, fertilizantes, fontes e informações de regulamentação. Disponível em www.meisterpro.com.]
  2. Fry, W. E. 1982. Principles of Plant Disease Management. Academic Press. New York, NY.
  3. Green, M. B. and D.A. Spilker. 1986. Fungicide Chemistry: Advances and Practical Applications (ACS Symposium Series, 304). American Chemical Society. Oxford University Press.
  4. Hewitt, H. G. 1998. Fungicides in Crop Protection. CABI Publishing, CAB International. Oxon, United Kingdom.
  5. Hutson, D. and Miyamoto, J. 1999. Fungicidal Activity: Chemical and Biological Approaches to Plant Protection. John Wiley & Sons. New York, NY.
  6. Koller, W. 1992. Target Sites of Fungicide Action. CRC Press. Baca Raton, FL.
  7. Lyr, H., Russell, P.E., and Sisler, H.D. 1996. Modern Fungicides and Antifungal Compounds. Intercept Limited. Andover, United Kingdom.
  8. Nene , Y. L. and Thapliyal, P. N. 1993. Fungicides in Plant Disease Control. Science Publishers, Inc. India.
  9. Page, B. G. and Thomson, W.T. 2003. The 2003 Newly Revised Insecticide, Herbicide, Fungicide Quick Guide. Kovak Books. Bakersfield, CA.
  10. Smith, I.M. 1986. Fungicides for Crop Protection: 100 Years of Progress. International Specialized Book Services. Portland, OR.