|
Ciclo da doença e EpidemiologiaClique na imagem para uma visão mais detalhada. O Ciclo da DoençaFusarium graminearum sobrevive ao inverno em resíduos infectados (colmos de milho, palha de trigo e outros hospedeiros) (Figura 12). Nestes, o fungo produz esporos asexuais (macroconídios) que são disseminados para as plantas ou outros resíduos por meio de respingos de chuva ou pela ação do vento. Sob condições de calor e alta umidade, o estádio sexual do fungo (Gibberella zeae) se desenvolve nos resíduos infectados. Peritécios negros se formam na superfíce destes resíduos e, forçadamente, liberam os esporos sexuais (ascósporos) no ambiente (Figura 13). Estes ascósporos, ao encontrarem correntes turbulentas de vento, podem ser disseminados a longas distâncias.
A infecção ocorre quando os ascósporos (e também macroconídios) se depositam sobre espigas suscetíveis de trigo. As anteras extrusadas durante a antese do trigo (florescimento) são consideradas o sítio primário de infecção (Figura 14). Se as anteras são infectadas logo após a extrusão, o fungo irá colonizar e matar as inflorescências e não haverá desenvolvimento de grãos. Inflorescências infectadas mais tardiamente produzirão grãos que serão chochos e enrugados. Os grãos que são colonizados pelo patógeno durante o seu desenvolvimento, embora assintomáticos, podem estar contaminados com a micotoxina DON (Veja Biologia do Patógeno para mais informações sobre micotoxinas).
Grãos infectados podem ser usados como sementes. Porém, se estes não forem tratados para se eliminar o patógeno, poderão originar plântulas com necrose (Figura 15). O grau com que isso ocorre no campo depende do percentual de sementes infectadas e das condições de solo que afetam o crescimento e o desenvolvimento das plântulas. A Aerobiologia de G. zeaePropágulos viáveis (ascósporos e macroconídios) de Gibberella zeae estão presentes no ar atmosférico antes, durante e após o florescimento do trigo. De maneira geral, a maioria dos esporos disseminados a partir de resíduos de plantas atingem curtas distâncias, porém uma vez que as condições de clima, como vento, sejam favoráveis à disseminação, os esporos podem se disseminar a longas distâncias. Por meio do uso de aeromodelos controlados remotamente (Figura 16) e barcos equipados com instrumentos para coleta de esporos (Figura 17), pesquisadores estão estudando a disseminação do patógeno a longa distância. Esporos de G. zeae têm sido capturados a centenas de metros no ar atmosférico acima de culturas agrícolas, florestas e lagos.
Se esporos viáveis são transportados para longas distâncias (quilômetros, ao invés de metros) é possível que novas e mais virulentas formas do fungo possam ser disseminadas rapidamente para outras regiões produtoras de trigo, onde estas não ocorrem. Estes novas variantes do patógeno, disseminando-se para locais distantes, poderiam ainda ter a capacidade de infectar cultivares de trigo e cevada com resistência a isolados locais. Há um importante debate sobre a importância relativa do inóculo local versus o inóculo vindo de fontes distantes, no desenvolvimento da doença. Em anos em que as condições climáticas são extremamente favoráveis à disseminação e infecção pelo patógeno, o manejo local de inóculo hibernante (i.e., aração ou mobilização do solo, tratamento de resíduos, etc.) pode ter um impacto desprezível nos níveis de doença, a menos que o manejo seja conduzido em extensas áreas de produção. O ambiente e a giberelaA infecção é favorecida por longos períodos de molhamento ou alta umidade (>90%) e temperaturas de moderadas a altas (entre 15 a 30°C). Estas condições, quando presentes antes, durante ou após o florescimento favorecem a produção de inóculo, infecção das anteras e a colonização dos grãos. A giberela é uma doença adequada para se fazer previsões de sua ocorrência devido aos curtos períodos para esporulação e dispersão do patógeno e infecção no hospedeiro, fatores que contribuem para o desenvolvimento da epidemia. Esforços estão em andamento para o desenvolvimento de modelos preditivos para a giberela. Estes modelos incorporam fatores como temperatura, umidade, chuva, produção de inóculo e desenvolvimento da planta para a predição da severidade da giberela. Copyright © 2006 |